CASTELAO, PICALLO… DOUS RETORNOS DESIGUAIS

José-Mª Monterroso Devesa
In memoriam M. Dourado Deira (1929-2012)
1. “CANDO TI VOLVAS POLO MARE…” (V. Paz Andrade, Pranto Matricial, 1955)

Quando a chegada dos restos -cinzas- de RAMÓN SUÁREZ PICALLO à Terra e mais à sua terrinha pequena -a grande Sada- nom puidemos por menos que evocar o outro arribo, quarto de século atrás, de um nosso prócer qual foi o infeliz retorno do corpo de ALFONSO RODRÍGUEZ CASTELAO: toda essa dignidade sadense de 2008 fai tristeiro contraste coa grotesca realidade compostelá de 1984!

Mália sermos partidários de que os mortinhos, ou o que deles fique, nom sufram traslados e permaneçam onde se tornárom tales, maismente no suposto dos exiliados, testemunha inigualável da realidade aberrante que padecérom… (lembremos os casos doutros dous ilustres expatriados, Antonio Machado -o enterramento do qual em Colliure (no Roselló, val dizer, na Catalunya francesa) é lugar de peregrinagem universal- e Manuel Azaña -cuja viúva se negou a um pretendido traslado desde Montauban, tamém na França)… mália isso, quando se tratar de respeitar a vontade da pessoa, exprimida em vida… nom queda mais que cumpri-la.

Sabido é que, assi como Picallo quixo vir dar ao Fiunchedo, Castelao exprimira a sua vontade de repousar na Ponte-Vedra… e foi, pola contra, levado a Compostela (primeiro delito) e depositado no, por outra banda digno, Panteom de Galegos Ilustres (se tal, unicamente problematizável por ser um lugar religioso (segundo delito), embora esté desacralizado e, além disso, reconhecendo ser Castelao católico… se bem nom católico rotineiro).

Dadas as anómalas circunstâncias, coincidindo co nacionalismo ortodoxo, no seu momento manifestamo-nos publicamente contra dita viagem post mortem, opiniom nossa que merescéu a crítica doída de dona Teresa R. Castelao, com quem tínhamos até entom umha grata relaçom, nascida nove anos antes, segundo se comentará aginha.

A maiores, bem conhecidos som os lamentáveis episódios da chegada do cadaleito (arrombado por horas no aeroporto compostelám, terceiro delito) e da sua arribada a Sam Domingos de Bonaval (onde mesmo os indignados do caso se saírom do livreto, se é que tal livreto existiu, quarto delito)… só superado pola ilegitimidade de um governo antigalego (quinto delito) capitalizando algo sagrado para os galegos practicantes e herdeiros ideológicos legítimos do pensamento de Castelao… até finalmente tudo acabar ficando no esquecimento, só permanecendo até o presente a instalaçom definitiva do patriota naquela igreja fria.

2. O PRIMEIRO RETORNO DE CASTELAO
(M. Dourado escrevéu)

Mas recuemos esses anunciados nove anos para darmos com 1975, memorável, entre outros sucessos, pola morte do quase eterno ditador…

Dito ano, logo dum longo e árduo processo, culminou-se coa instalaçom do primeiro monumento a Castelao na Terra e, tamém como no caso de Picallo, na sua pátria pequena –o grande Rianxo. O formoso e modesto conjunto que todos conhecemos, consistíu num busto (mais bem a cabeça) de bronze chantado num dolménico pedestal, este obra de Alfonso Sanmartín (já falecido), aquele devido a José Escudero (1923-1975), morto, por certo, dias depois da chegada a Vigo –da que ele foi informado-, no veráu desse ano, da citada efígie do prócer, cujo gesso el modelara em Montevidéu, quase vinte anos antes.

A inauguraçom pública, baixo persistente chuiva, tivo lugar o 27 de setembro, já outono, pois, precisamente na data em que eram injusticiados os luitadores pola democrácia cujos nomes muitos temos na mente, o qual valéu para que determinados sectores afins a eles desqualificáram o acto rianxeiro: desde a organizaçom deixou-se claríssimo que este
nom era um acto festivo, mas, pola contra, um acontecimento
patriótico, levado a cabo por riba de mil dificuldades, ainda vivo o ditador, galanamente coberto o busto, em exclussiva (todo um logro daquela!), pola nossa bandeira e magistralmente protagonizado –além das autoridades de rigor, todas a se exprimir em galego- por D. Ramón Otero Pedrayo –na sua derradeira intervençom pública. Com toda essa irreprochabilidade que, nove anos mais tarde, tanto se botaria em falta no episódio compostelám.

Cumpre salientar que esta inauguraçom marcaria o começo dumha delongada lista de homenagens a Castelao na Galiza e na Espanha: estátuas, bustos, placas, ruas, centros de ensino… a aprovaçom, polo Parlamento galego (1991) (a proposta sucessiva de Pilar García Negro e de Camilo Nogueira) do próprio DIA DE CASTELAO (30 de janeiro)… que, lamentavelmente ficou no papel, em lei morta, arteiramente incumprida pola mesma suprema instituiçom autonómica. (Simplesmente, limitamo- nos a recalcar estes actos de rememoraçom, sem que deixemos de botar de menos a necesária mais que obrigada missom de divulgar o ideário do Guieiro nas aulas).


3. O LIVRO QUE DOURADO NOS LEGOU

Nom vem a conto contarmos as vicissitudes corridas para conseguir, primeiro, a autorizaçom de instalaçom do monumento e de celebraçom do conseguinte acto e, depois, a sua realizaçom com essas, insistimos, impecáveis características. Hai um livro que o conta tudo, O primeiro retorno de Castelao, redigido polo recentemente falecido Prof. Manuel Dourado Deira, jornalista bem conhecido, entre outras luitas, pola sua reivindicaçom, naqueles mesmos anos 70 do século passado, do topónimo Rianxo e depois pola contínua prédica castelaoniá e galega em geral. (Som de salientar as suas Conversas con Teresa Castelao -1999).

Livro que seria publicado nos próximos messes, infortunadamente sem a presença física do autor. Mas o livro, que nos honramos em prologar, se nom limita a esses passos. Tamém relata, se bem recordo, como foi a doaçom da escultura –feita com bronze doado polos galegos do Uruguai a partir da iniciativa do Patronato da Cultura Galega de Montevidéu, e em base ao gesso que vinte anos atrás -em 1956- fixera o citado artista corunhês -daquela residente na capital uruguaiana- a pedido do lembrado patriota minhense afincado nesta capital -outro Ricardo Flores mas nesta banda do Prata- D. Antón Crestar Faraldo (1896-1983).


E relata qual o papel de mediador entre a instituiçom galaico-montevideana e o governo espanhol que desempenhou o Patronato Rosalia de Castro e o seu presidente, Dr. Agustín Sixto Seco (1926-2004), assi como a eficaz colaboraçom do coengo Manuel Espiña Gamallo (1933-2010), outro caro amigo que vimos de perder.

E relata como foi a acidentada arribada com providencial despacho de alfândega num dia domingo- ao porto viguês -o que nom se déu com Castelao segundo a lírica aspiraçom do poeta, déu-se coa sua vera effigie que chegou polo mar!- e o traslado a Rianxo no coche do autor, acompanhado do prologuista.


4. DESDE A CHACARITA PORTENHA
(Panteom do Centro galego de Buenos Aires
presidido polo impactante cristo de Asorei)

A raíz do recente passamento do amigo entranhável foi que se nos ocorréu redigir estas poucas linhas com Castelao e Picallo sobrevoando todo o tempo a nossa memória, dadas as similitudes e desemelhanças das suas trajectórias póstumas. Porque… a distância que vai do acto do rianxeiro, pateticamente protagonizado polos inimigos ideológicos de sempre (“Castelao ainda causa horror aos políticos da dereita”, escrevia-me Dourado em dezembro de 2011), ao do sadense, feliz e austeramente culminado polos seus parceiros no pensamento, essa distância é incomensurável!

Montevidéu para Sada, janeiro de 2013.
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