O MEU LUÍS SEOANE

José-Mª Monterroso Devesa
Invitaçom para a inauguraçom da Sala Luís Seoane.   Documento cedido polo autor

Vam alá dous messes desque morréu o debuxante Hermenegildo Sábat (a) Menchi (1933-2018). Entom lembrei a sua visita na Corunha a Luís Seoane (1975) e o retrato que, naquela ocasiom, lhe fixera a Isaac Díaz Pardo, que o nosso amigo reproduziu na contracapa do seu livro Galicia hoy. Y el resto del mundo (1987), tendo-lhe eu aclarado que Sábat, mália radicar em Buenos Aires, era uruguaiano e nom argentino como el indicava ao pé do retrato.

Nalgum ano entre 1971 e 1976 (período das suas Figuraciós em La Voz de Galicia) o próprio Seoane retratara e glossara a Sábat (fig. 2). (Hermenegildo era neto doutro Hermenegildo, também retratista: o filho deste e pai daquel, Juan Carlos Sábat Pebet, biografou José Alonso y Trelles, o ribadense poeta gauchesco, por sua volta retratado por seu citado pai).

Agora dedicase-lhe, e já eram horas, ao nosso enorme artista, literato e activista galego-argentino o Dia das Artes Galegas 2019, instituído em 2015 pola Real Academia Galega de Belas Artes o 1 de Abril de cada ano. É curioso como nós, num artigo de 1984, faziamo-nos eco, da criaçom, o 5 de abril, dessa mesma efeméride (31 anos antes!), data do passamento de Seoane em 1979: que passou com aquela frustrada celebraçom como Dia da Arte Galega, promovida polo conjunto de agrupaçons culturais corunhesas? Pois que nom tivo a bençom académica (como nom a tivera, anos atrás, 1980, a proposta d’O Facho do Día da Nossa Fala para cada 18 de Maio, celebrando a data de fundaçom das Irmandades da Fala).

Esse mesmo ano 80 nasce a Compañía de Teatro Luís Seoane que, em 1981, concretamente o 26 de agosto, abre as portas, na corunhesa rua de Alfredo Vicenti número 5, do Teatro Luís Seoane, inaugurado oficialmente o 9 de novembro seguinte, com A casa das tres luas, de Ramón Otero Pedrayo, com palavras prévias deIsaac. Sala que marcou umha brilhante época na história do nosso teatro nacional e que, como puido, subsistíu durante essa década.

Será naqueloutro 1984 (fins de Abril), quando se instala, na praça do seu nome, fronte ao edifício das delegaçons das Conselharias (vulgo nuevos ministerios), o busto de Seoane, por José Castiñeiras (que vinte anos depois foi completado esculturalmente)… aonde íamos anualmente fazerlhe oferenda dum ramalhete de “três folhas de ruda” acorde co tal título da obra seoaniana.

Esse junho publicávamos, em El Idel Gallego, Luís Seoane ou o universalismo da nossa cultura, onde lamentávamos o também frustrado projecto para Riaçor do Monumento ao Emigrante que, cos anos, venturosamente, foi dar ao seu parque de Santa Cruz de Oleiros. (Quatro anos mais tarde recuncaríamos em Luzes de Galiza com Algumhas prosas profanas sobre “Homenaje a la Torre de Hércules”, na sua 2ª ediçom).

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Hermenegildo Sábat por Seoane, dedicatória de Comunicacións mesturadas e Isaac Díaz Pardo por Sábat.    Imaxes cedidas polo autor

Contactáramos com Seoane tardiamente. Foi em novembro do 73. (Ver O meu Manuel Espiña, Caderno de Estudos Xerais, núm. 13): a sua boa relaçom com O Facho fora anterior à minha vinculaçom coa agrupaçom cultural corunhesa. (A maiores, a dedicatória das suas Comunicacións mesturadas de setembro anterior fora feita sem me conhecer, a pedido de minha mai, estando eu ainda no Uruguai). Naquel novembro, pois, foi quando, por encargo do Patronato da Cultura Galega montevideano, voltando à Corunha desde a capital uruguaiana, fóramos visitá-lo (como também ao nosso futuro bom amigo o coengo Espiña).

Foi ali, se mal nom lembramos, no 15º andar da riaçoriana Torre Corunha. Estava canda el o Dr. Fermín Fernández Armesto (1907-1979), irmáu de Augusto Assía, médico naval (como Pondal), mais que esquecido desconhecido autor dum Dicionário castelán-galego, editado postumamente (1981) por O Castro, dado que o lexicógrafo autor morrera dous messes justos depois do seu amigo Seoane.

Eu devim aportar-lhe ao nosso Luís algumha das publicaçons daquela exemplar instituiçom da diáspora, talvez a Antoloxía popular, de Heriberto Bens (X.L.M.Ferrín, de 1972), ou mesmo o recém saído Informe para axudar a alcender unha cerilla, de Manuel María (1973), ambos com capas del, como tantas outras do fondo editorial do Patronato. Mas só me quedou daquela breve entrevista o comentário, palavras mais, palavras menos, que sobre nós lhe fixo ao amigo: “Xa ves, Fermín, como é posible compaxinar duas patrias nunha mesma persoa: este rapaz así o demostra.”

Retenho apenas outra volta que saudéi ao matrimónio na rua Real… Endebém, algum contacto mais devéu haver, pois em algum momento, talvez no Ateneo corunhês, talvez no Castro de Samoedo, ao lhe comentar eu do meu parente compostelám Pepiño (Devesa) Areosa (1908-1936), passeado junto com Ângelo Casal, informara-me el de tê-lo conhecido, concretando- me que militava em Izquierda Republicana… Com Maruxa si tivem mais oportunidades de falar, sempre aprezando aquel jeito encantador que, junto à sua inteligência evidente, tinha essa bela mulher.

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Em 2003 foi quando se inaugurou, também na Corunha, o edifício da Fundación Luís Seoane, atinado logro dos arquitectos Creus & Carrasco, umha das poucas mostras dignas de arte contemporânea com que conta esta urbe, coroando harmonicamente na Cidade Velha o quartel que operara nos últimos tempos como Caixa de Recrutamento militar para nós os moços corunheses…

(Nom somos quem de dizer se a funçom cultural da instituiçom está à altura do importantíssimo acervo que custodia).

Montevidéu para Sada, Dezembro de 2018.
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