ALGUNS DOS QUE FICAROM NAS AMÉRICAS… (III)

José-Mª Monterroso Devesa
ARGENTINA, MÉXICO
6.Castelao, Zapata, Taibo, Gaos
6.1.1950.
Castelao morre entom em Buenos Aires com 63 anos. Resenhar, ainda bem em resumo, a sua vida, além de tarefa impossível seria ocioso, tam bem o conhecem os leitores de Areal. A maiores, o encabeçamento destas linhas já nos deixa clara a sua forçada realidade de emigrante (de neno) e de exiliado.
Entom, à sua vocaçom e esplêndida realidade de debuxante social e ao seu excelso desempenho como criador literário e mais como autor teatral, cumpre acrescentar e mesmo priorizar agora, dada a temática deste trabalho, a sua condiçom de exiliado marcada polo seu compromiso político: vedeaí a razom do seu passamento longe da Galiza territorial, ficando naquela Galiza ideal (dito por el)… para ser -ao contrário do nosso Ramón- polemicamente repatriado aos eidos nativos (ver Areal núm. 6).
6.2.1953.
No mesmo Buenos Aires do que Castelao, morre, três anos depois, o lagês Antón Zapata García, aos 67 de idade. Emigrado em 1903, com 17 anos, pois, àquele país, é poeta fundamentalmente dum livro só: A roseira da soidade, póstumo (Corunha, s/d: 1954, prólogo de Otero Pedrayo).
Nesse meio século de vivência portenha, colaborou em quanta actividade galega e galeguista houver, desde as publicaçons (onde hai muita sua poesia, por exemplo, em Céltiga) até as associaçons tal a Sociedade Nazonalista Pondal (sendo, por certo, parente do Bardo de Bergantinhos)… coincidindo repetidamente co nosso Suárez Picallo. (AVR).
6.3.1954.
Neste ano morre na capital azteca, com 77 de idade, o compostelám Luis Taibo García (irmáu do poeta Victoriano, ver Areal núm. 15), quem emigrara àquela república em 1908. Médico de profissom, que exercéu com éxito em México, ao tempo, e já desde a época de estudante, dedica-se à composiçom musical.
Esta arte cultivara-a, e muito, em benefício da cultura da sua pátria natal. É bem conhecido o seu hino Deus Fratesque Gallaeciae (1911, sobre letra de Alfredo Brañas, algum tempo tentando ser o canto oficial da Galiza). Menos divulgadas som as suas criaçons sobre poemas rosalíáns ou o quarteto Céltigas.
Dise-nos no artigo do que bebemos, que o seu legado, destinado por ele à Real Academia Galega, lamentavelmente nunca aqui chegou. Mas, em 2017, a Real Filharmonia de Santiago estreou a sua Suite sinfónica galaica. (Rev. Codalario.com, 18-05-17).
6.4.1959.
Aos 85 anos em Mar del Plata (Argentina) morre o corunhês Andrés Gaos Berea (sobrinho do músico Canuto Berea). Desde 1895 morava naquela república, aonde fora dar este precoz violinista, prévia passagem por Cuba e México, numha gira de concertos.
Em Buenos Aires dedicou-se ao ensino musical, sem por isso deixar de interpretar o seu instrumento durante décadas polo mundo todo… incluida A Corunha, em 1909, primeiro dum retorno que se repetirá. De 1925 a 1932 reside em Gan, localidade francesa perto de Pau (segundo temos entendido, pátria ancestral da sua segunda mulher). De regresso à capital argentina, dá por rematadas as giras e centra-se, novamente, na docência e na direcçom de coros e orquestras, e, agora si, na composiçom, com tal intensidade e calidade, que lhe fai dizer a Cartelle que, com Groba, constitúem a parelha mais relevante da história musical galega.
Umha placa na sua casa natal da Corunha (Orçám, 126, hoje em ruína), foi instalada em 1981. (GEG/RCA).
CHILE, MÉXICO, ARGENTINA,
VENEZUELA
7.Soto, Souto, S.Picallo, Mosqueira
7.1.1963.
Antonio Soto Canalejo morre, com 65 anos, em Punta Arenas (Chile, extremo-sul), ferrolám que, desde os três de idade, morou na Argentina… mas voltando à Galiza e, já pola sua vontade, retornando àquela república em 1914. Em 1919 integra-se a umha companhia teatral que, em chegando a Rio Gallegos (provìncia de Santa Cruz, na Patagónia), lhe permite captar o clima quente que ali experimentava o proletariado (maiormente rural), e ali fica.
Incorpora-se ao movimiento obreiro já com cargo directivo (1920), no começo dum processo cada volta mais radicalizado: declaram-se folgas gerais e responde a repressom gubernativa (1921), com grande dureza (mortos a moreas), por nom terem ressistido os obreiros e pións (em contra da ideia de Soto, que fuge entom a Chile, numha primeira de várias passagens dessa fronteira).
No país vizinho casa e, por ser contínuo objecto de perseguiçom, cámbia de residência acotio… para acabar novamente em Punta Arenas como trabalhador rural. Ali segue relacionado co movimento sindical e funda, já nos anos da guerra espanhola, o Centro Republicano Español, o Centro Gallego e mais a filial da Cruz Vermelha.
O cineasta Héctor Olivera imortalizou-no em La Patagonia rebelde (1974), sobre livro de Osvaldo Bayer, onde o papel de Soto levava-o o consagrado Luis Brandoni. (Pz. Leira).
7.2.1964.
Em julho deste ano morre em México, D.F., e com 62 anos, o pontevedrês Arturo Souto Feijoo. Prévia passagem familiar por Sevilha, com vinte anos instala-se el em Madrid, para nessa mesma década dos 20, visitar París e viver algum tempo a sua viçosa realidade plástica. Logo de fazer na metrópole madrilenha as suas primeiras exposiçons, retoma o contacto com Galiza, já em 1930, concretamente co grupo de intelectuais de Lugo.
É nesse período republicano que Souto se internacionaliza com mostras em Espanha (mesmo na nossa Terra, onde se vincula cos novos nomes da arte do país) e em Europa, decididamente adscrito, e num posto relevante, à avanguarda pictórica. Tamém é entom quando passa dous anos becado em Roma.
Coa guerra, pom-se ao serviço da propaganda oficial do governo e passa a cultivar o desenho (por exemplo, os debuxos de guerra paralelos aos de Castelao), simultaneando com exposiçons europeas. O exílio leva-o a Cuba e USA, até, finalmente, radicar-se em México (1942). Será entre 1962 e 1964 quando volta à Espanha, decidido a trasladar aquí a sua vida, celebrando mostras várias. Na sua volta ao país americano para levantar tudo, surpreende-o a morte. (GEG/MLSM).
7.3.1964.
Ramón Suárez Picallo morre em Buenos Aires aos seus quase 70 anos, poucos messes depois de Souto em México.
Emigrante primeiro, finalmente exiliado, sindicalista, orador, avogado laboralista, deputado, jornalista… seria redundante, como no caso de Castelao, e ainda mais, tentar desvelar para os amigos de Areal qualquer faceta da sua viçosa andaina vital. Fique aquí como, segundo dixemos, fito ao redor do qual armamos todas estas esfianhadas linhas que, injustamente, a tantas e tantos outros ham deixar sem resenhar…
7.4.1968.
José María Mosqueira Manso, de Corme, morre em Caracas aos 82 anos. Este quase desconhecido nome, foi-no menos para nós, que tivemos um seu filho como veterano companheiro de oficina. E hai pouco, o mesmo Pepe Neira incluiu-no no seu livro de referência: dele bebemos este resumo.
Exiliado do 36, na República Dominicana e Venezuela, fora oficial da Marinha Mercante, antes e quando a República espanhola. E tamém, e por isso interessa-nos, oceonógrafo e ictiólogo, rara figura nas facarenhas ciências galegas.
Como tal estudou e publicou diversos trabalhos, pioneiros, sobre a fauna marítima de pontos vários do planeta, mais especificamente do país venezolano e o seu grande rio Orinoco. Talvez tal rio, e o seu descobrimento por Colón, levarom a Mosqueira a publicar um estudo (o mais empírico de tantos galegos que nisso insistirom e insistem: García de la Riega, Horta, Zás, Riguera Montero, Romero, Fontán, Philippot, Taibo…) sobre La cuna gallega de Cristóbal Colón (Buenos Aires, 1961).
 ARGENTINA, BRASIL

8.Rey Romero, Velo Mosquera
8.1.1971.
Faustino Rey Romero, rianxeiro de Isorna e sacerdote, morre em Buenos Aires, de acidente doméstico ainda nom clarificado, com apenas 50 anos recém cumpridos (sendo traidas as suas cinsas ao camposanto aldeám em 1987). Erudito, ensaísta e poeta, com toda a sua obra publicada, e muita premiada, em Galiza, antes de emigrar, apenas levava cinco anos na capital argentina, onde detentava o curato de Balvanera. Aqui fora cura de Catoira e Amorim. Acrescentamos que, amais de escrever e publicar fora animador cultural, mesmo participando, por exemplo, na fundaçom do Patronato do Pedrón de Ouro (1964).
Visceral inimigo da ditadura e em conflito coas autoridades eclessiásticas tudenses, atribui-se a isto o seu exílio voluntário. (Conta-se que o dia do seu embarque alguém derrubou o monolito que se erquera na sua honra na aldeia natal… substituído por outro… em Tui, 2011). Mas, de antes (1957), visitara Venezuela e outros países do Caribe, como capelám do buque “Santa María” (ver resenha seguinte).
Em Buenos Aires reeditará, com prólogo de Paco Luis Bernárdez, o seu delicioso sonetário de 1959 Escolanía de melros. Em 1985, o concelho de Rianxo publica a sua obra completa (a cargo de Carmen García e Xesús Santos).
8.2.1972.
Em Sao Paulo (Brasil) morre, com só 55 anos, o celanovês José Velo Mosquera. Activo galeguista desde moço na sua vila (junto com Celso Emílio Ferreiro, seu coetâneo), finalizada a guerra civil instala-se em Vigo cum colégio no que imparte Matemáticas; e é preso em 1944, até que parte, via Portugal, cara a Venezuela onde, em 1948, segue coa actividade docente na capital…
…Sem deixar o activismo antifranquista. Por iniciativa sua nasce o D.R.I.L. (Directorio Revolucionario Ibérico de Liberación/Diretório Revolucionário Ibérico de Liberaçao), liderado polos generais Bayo -espanhol- e Delgado -português-, cuja acçom mais espectacular a constituiu o seqüestro do transatlântico luso “Santa María” (na que Velo se autodenominava Carlos Junqueira de Ambia).
A Operación Dulcinea foi realizada por um cativo comando de portugueses e galegos baixo a autoridade do capitám Galvao e o Comandante Sotomayor (Curaçao, 22-01-1961), entregando o paquebote aos 13 dias (Recife, 04-02-1961), cum grande impacto publicitário contra as duas ditaduras peninsulares. Esse Cdte. Sotomayor era outro galego (Caraminhal, 1904 ou 1908-1986, Caracas), José Fernando Fernández Vázquez de seu verdadeiro nome.
(Na nossa adolescência no Uruguai profundo conhecemos esta -curta- epopeia, sem darmos-lhe o significado que tinha, qualificada como acçom de pirateria polos governos afectados). Epopeia narrada que foi polo próprio comandante em Yo robé el Santa María (1978) e à que lhe dedicou um documental, Santa Liberdade (2004), a nossa amiga Margarita Ledo Andión. (GEG/XGM).
 

Enterro de Suárez Picallo. Buenos Aires, 1964
Cedida por R. Tenreiro
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