ALGUNS DOS QUE FICAROM NAS AMÉRICAS… (I)

José-Mª Monterroso Devesa
Fai coarenta e cinco anos era eu un emigrante… agora son un refuxiado político…
Em ámbolos dous casos non interveu a miña vontade; mais agora traime âs Américas
unha fada descoñecida. Creo que veño a envellecer onde me criei. E ogallá que
retorne de novo algún dia, por estas mesmas augas, para morrer onde nascín!

ALFONSO R. CASTELAO, Sempre en Galiza, Buque “Argentina”, Xullo de 1940

Para María Miramontes Matos (m. Buenos Aires, 1964), Syra Alonso Brufau
(m. México, 1970), Jacinta Landa Vaz (m. México, 1993) e Ascensión
Concheiro García (m. México, 2013)… grandes mulheres, umhas entre outras
muitas, todas elas mortinhas no exílio americano.

INTRODUÇOM

Incomunicaçom Galiza-Portugal. Incomunicaçom Portugal-Brasil. Incomunicaçom Espanha- América. Incomunicaçom Galiza-América… umhas vezes (Galiza-Portugal) fomentada polo poder político, estoutras pola desídia dos governos; aqueloutras, em fim, derivadas das actitudes persoais dos emigrantes (maiormente quando nom alcançavam o status sonhado, mesmo quando abandonavam a família legítima que ficara na Galiza… individuos havendo que cortarom qualquer vínculo coa Terra mai, mesmo mantendo na ignorância dela aos seus vástagos).

Assi passa tamém cos persoeiros da cultura (algo menos cos políticos), que chegam a ser filhos adoptivos das vilas americanas… para ficarem ignorados na Galiza materna, ou bem, apenas lembrados na sua aldeia ou vila, caso dos doantes de escolas ou de campás para as igrejas, etc.

Mais umha volta co nosso Ramón Suárez Picallo como fonte inspiradora (e tamém co seu artigo sobre o canguês Botello, reproduzido no núm. 15 da revista sadense), traemos a Areal agora umha reste de figuras que morrerom nas Américas, muitas delas sem nunca terem retornado à Terra, e sem entrarmos a valorar as causas de tales feitos.

Claro está que nom podemos comparar aos exiliados (forçosos por definiçom), que mantiverom viva até a fim a morrinha do país irrecuperável… co sentimento bem menos radical ou monolítico dos emigrantes (forçados, si, em parte), nomeadamente aqueles que (como o nosso Ricardo Flores) passarom mais de meia vida no país de adopçom, com verdadeira dificuldade para escolherem entre as duas pátrias… uns, tamém é certo, se relacionando mais do que outros coa Terra natal.

Necesariamente sintéticos, talvez nom acertemos a resumir o principal de cada vida. Por essa mesma razom de síntese, cingimo-nos ao passado século XX e ao continente americano –essa segunda Galiza para tantos de nós-, e nem mesmo, pois ham faltar-nos nomes… quem poderia conhecê-los todos! Mas seguro que a mais de um leitor lhe resultará novidoso mais dum vulto entre esta trintena longa que lembramos nós e passamos a relembrar para vós, vultos nom todos de primeira linha, mas sempre meritórios e dignos –da nossa evocaçom.

Como toda selecçom, isto é o mais difícil: seleccionar. Som todos os que estám… mas nem de longe estarám todos os que forom. Ficarám fora homes como Rey Ruibal, Rodríguez Ribeira e Miguéns Parrado, Rodríguez Díaz, Vázquez-Gómez e Somoza Gutiérrez, Rodríguez Elías, Garrido Rodríguez, Elpidio Villaverde, José Rubinos e Rey Baltar, Gayoso Frías, Avelino Díaz –quem, felizmente, é exaustivamente tratado neste mesmo número da revista- e Fuco G. Gómez, Sánchez Guisande e Paz Lestón, Pita Romero e Álvarez Gallego, Otero Espasandín e Delgado Gurriarán, Cuadrado e Xosé Sesto… (por rigurosa ordem cronológica de passamento)… e quanta mulher que, reconhecemo-lo, aquí brilham pola sua ausência. (Outros, como Alejandro Finisterre ou o nosso Ricardo Flores, caem fora do período tratado).

Finalmente, este trabalho nom é fruto de sessuda investigaçom, mas maiormente achega doutras fontes que em cada caso som citadas. Importantes aportaçons houvo de Alberto Vilanova (Argentina) e de Pepe Neira (Cuba), assi como de Pérez Leira (para todo o continente), que nos permitem simplesmente espigar alguns nomes. A inflaçom literária que haverá é efeito da nossa deformaçom profissional.


CUBA

1.Delgado, Curros

1.1.1900.

Inicia-se a centúria -ou remata a anteriorco passamento em Cuba (Havana?) do narrador mindoniense Patricio Delgado Luaces, de 50 anos, considerado “un dos iniciadores da prosa
galega”, cumha única obra conhecida: ¡A besta! (1899-1900, em folhetim da revista Follas novas; reeditada em 1993), romance que, baixo o seudónimo de Xan de Masma, é “umha das escasas mostras de novela longa nos tempos do Rexurdimento”. Emigrara Delgado na década de 1870, por
motivos políticos que mesmo o levaram à cadeia. (CC 454, DV 172).

1.2.1908.

Vários galegos, e destacados galegos, andavam naquelas décadas pola Grande Antilha: Cabanillas, Lugris, Antón Vilar Ponte, Basílio, Curros, Chané… Contava Manuel Curros Enríquez 42 anos e tinha publicada toda a sua obra, quando emigra a Cuba (1894), ainda colónia espanhola, estabelecendo-se na Havana, onde bota dez anos (dez anos decisivos na história do país, que em período tal se independiza).

Volta à Terra o celanovês em 1904 e, na Corunha, é coroado no teatro que, pouco depois, será bautizado Rosalía Castro (sic). E volta à Havana, tornando a exercer o jornalismo. Nada comentaremos da sua biografia anterior à emigraçom, nem dos seus avatares em Cuba, por serem abondo conhecidos. Nom é o nosso objecto. Si o é dizer que morre já em 1908, março, com 56 anos, mês em que é chegado à Corunha, onde fica sepulto em Santo Amaro, depois de multitudinária manifestaçom popular. (CC 351).


CUBA, ARGENTINA

2.Chané, Cao

2.1.1917.

O compostelám José Castro González, Chané, morre na Havana com 61 anos. Chané estabelecera-se antes na Corunha, alcançando aginha sona como director de grupos corais,  tales o Orfeón Coruñés e El Eco (fundado em 1892, sendo hoje o mais antigo da Espanha) – corais que, daquela, interpretavam a chamada música académica ou clássica-, chegando a ser aludido como “o Clavé galego”. Essa fama adquiriu-na em sucessivos eventos na geografia espanhola e, particularmente, em certames internacionais (como o de París, 1889, primeiro prémio).

Em 1893 parte para Cuba (lembremos, ainda colónia española), onde segue colheitando sona ao fronte de coros e é ensalzado polo próprio Curros: justamente o vate celanovês e Chané juntarom as suas inspiraçons em composiçons tales Un adiós a Mariquiña ou Os teus ollos. Os seus restos tamém repousam, desde aquele mesmo ano, em Santo Amaro da Corunha (cidade à que viajara em 1907). (GEG/AVR).

2.2.1918.

Aos 56 anos morre em Lanús (Buenos Aires) o célebre desenhador e caricaturista de Cervo José María Cao Luaces (a) PPKO. Trabalhador em Sargadelos, e com sucessivos desempenhos em Gijón e Corunha -onde cursou Comércio e Magistério-, emigra em 1886 (com 24 anos) à República Argentina, em cuja capital se vincula co jornalismo gráfico e satírico, para rematar, logo de fundar El Eco de Galicia (ver Castro López), e participar em Don Quijote, na famosa Caras y Caretas.

Republicano federal, foi activo animador dos movimentos galeguistas e associacionistas portenhos (Centro Gallego, Orfeón Gallego…). (GEG).


CUBA, URUGUAI, ARGENTINA

3.Armada, Trelles, Castro López

3.1.1920.

72 anos tinha ao morrer na Havana o ortigueirês Ramón Armada Teijeiro. Curmáu do pai de Díaz Baliño, fundara na capital cubana (1885), junto co nosso Lugris Freire, A Gaita Gallega, primeiro periódico americano integramente em galego. ¡Non máis emigración! (1886), da sua autoria, é “a máis antiga peça teatral do nosso Rexurdimento (depóis de A fonte do xuramento)”. (DV 62).

3.2.1924.

José Alonso y Trelles, ribadense de 1857, morto entom em Montevidéu, emigrado que fora ao Uruguai com 18 anos, nada déu às nossas letras -agás alguns versinhos contidos na sua obra teatral, practicamente desconhecida, Crimen de amor-, e se o traemos aqui é por ter sido um relevante cultivador da literatura gauchesca, nomeadamente no poemário Paja Brava (1916) -onde, força é reconhecê-lo, um único poema leva o título Mágoa, talvez como tributo à língua materna, mas inexplicável a sua utilizaçom num país hispano- falante-, publicado baixo o seudónimo de El Viejo Pancho. (Caso equiparável de adopçom da linguagem popular do país de acolhida, até passar por nativo, dá-no-lo Neira Vilas ao biografar o ferrolám do XIX Bartolomé Crespo (a) Creto Gangá, coa sua pioneira literalizaçom do bozal dos pretos cubanos).

Trelles foi tamém político, tendo viajado umha vez à Galiza mai. Um seu busto ergue-se na praça de Ribadéu, replicado aginha no Uruguai (em Tala e em Montevidéu).

3.3.1926.

Manuel Castro López, luguês da capital, tinha 66 anos ao morrer em Villa Turdera (Gran Buenos Aires). Activista galeguista como criador, na capital argentina, do importantíssimo Almanaque Gallego (1898-1927, reeditado em Galiza, em 6 volumes, 2008- 2010), anuário dotado dum apreciável nível literário. Mesmo dirigiu o semanário El Eco de Galicia. A maiores, tem algumha obra poética em galego: O consolo, que foi musicado por Paz Hermo.

Funcionário de Justiça e federalista que exercéu como secretário da assembleia do Partido Republicano Federal (Lugo 1887) -na que se redigiu o anteprojecto de Constituiçom para o futuro Estado Galego-, viu-se obrigado a emigrar em 1892. Estava casado coa escritora Ramona de la Peña. (DV 131). Barreiro Fernández, na reediçom do Almanaque, fai umha excelente semblança de Castro: “republicano, masón e anticlerical, galeguista e historiador da galeguidade”, define-o.

Ilustración que acompaña a este artigo: Enterro de Curros Enríquez na Coruña
El Noroeste, 03/04/1908
Partillar

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