AS IRMANDADES DA FALA CEM ANOS DEPOIS

José-Mª Monterroso Devesa

Assi como a Real Academia Galega foi concebida na emigrazom cubana (Fontenla, Curros…) e parida na Corunha na primeira década do século pasado (1906), dez anos andados (1916), e tamém na cidade de Maria Pita, gentes que formaram nessa emigrazom na Gram Antilha (Lugris, Villar Ponte, noutro momento e lugar Cabanillas…) derom lugar ao nascimento das Irmandades da Fala.
No primeiro caso, foi um fenómeno mais bem elitista, declaradamente académico (o mero nome delata-o assi) e durou até hoje. No suposto das Irmandades, tratou-se dumha iniciativa com vocazom mais popular cuja vida se limitou a quince anos, transfundida a sua filosofía e impregnando a nova realidade política do Partido Galeguista.
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No seio da R. Academia nascéu, em 1963, o Dia das Letras Galegas -17 de Maio-, o Dia das Nossas Letras, que leva percorrido umha vizosa andaina. Na lizgaira entranha d’O Facho -fundado esse mesmo ano, novamente na urbe herculina-, surgiu em 1980, inspirado nas Irmandades, o Dia da Nossa Fala -18 de Maio-que, por falta de padrinazgo oficial, comprensom e generosidade ou humildade de dita Academia, ficou numha efeméride voluntarista, apenas cele-brada aquí e aló por colectivos dispersos.


Que oportunidade perdida para, maridando ambas datas, felizmente imediatas, a integrarem, como se propuxo, as Jornadas do Ressurgimento, redondear o concepto reivindicativo da língua e da literatura dum país, tam necessitado destes como doutros caxatos!

Esta celebrazom nascia -ou pretendía nascer-em democracia -em democracia ainda balbuciente-, em tanto a académica o fora em ditadura e provavelmente por isso nom traspassou a prudente exaltazom do fenómeno literário, menos perigoso do que o lingüístico: contodo, algumha dedicazom, ainda aligeirada, nom deixou de ser ousada: refirome a Castelao, já evocado (o segundo depois de Rosalia) no imediato 1964.
Homenaxe da Irmandade da Fala da Coruña a Ramón Suárez Picallo en San Pedro de Nós, no transcurso da súa visita a Galicia no ano 1926. (Eco de Galicia, 10/1927)
(Aquel mesmo 1980, como acto fulcral da efeméride recém criada, a instituizom corunhesa instalou umha placa dedicada “aos irmaus viveirenses Antón e Ramón Vilar Ponte”, placa que num momento posterior foi deslocada da fachada do Rego da Auga para a contrafachada da Franxa, onde actualmente se visualiza. Anos atrás –simples iniciativa de quem isto escreve-houvera um precedente, perfeitamente desapercibido, qual foi a sugestom, através de El Ideal Gallego, da formazom na Corunha dum Muséu das Irmandades da Fala). 

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Inspiradas, como el mesmo o manifestou, polo seu irmau mais novo, Ramón –home do eido das Humanidades- foi Antón Villar Ponte –de formazom científica, amém de jornalista visceral- quem, com evidente eficácia proselitista, levou á aczom o pensamento daquele, através do activismo jornalístico, concretamente coa publicazom por entregas do que logo seria o livro Nacionalismo gallego. Nuestra afirmación regional. Esse proselitismo desenvolveu-no Antón quer em español, quando o meio –La Voz de Galicia– assi o condicionava, quer em galego, esta volta principalmente nas páginas do órgao próprio das Irmandades, A Nosa Terra (iniciando estom a sua segunda jeira). 
(Podemos aventurar que a utilizazom do idioma espanhol bem puidera apontar a comover, mover e promover a favor do novo ideal a gentes, como eram a maioria, doutras sensibilidades: aí está, por abundarmos, El problema político de Galicia que, mais adiante, Risco redigiria na lingua cervantina para ilustrar á intellegentsia espanhola. Isto dá a pauta de que o nacionalismo das Irmandades, e com el o grosso do nacionalismo galego posterior, jamais foi fechado em si, nunca olhou para o seu embigo: como dixo alguém contemporáneo, “Galiza mais se afirma quanto mais se prodiga”). 
Depois daquele fito do Ressurgimento deci-monónico (Murguia, Brañas…), que nom deixou de ser a iniciativa individual dalgumhas mentes e corazons privilexiados –mesmo coas suas manifestazons políticas mais librescas do que pragmáticas, e, como nom, coas suas invitáveis contradizons-, acontecéu estoutro fito das Irmandades da Fala cumha vocazom já decididamente social e aglutinante e co objectivo práctico de catapultar a língua –e nom só a língua, mas a língua em primeiro lugar, daí o seu nome, daí o cultivo do teatro no idioma pátrio- ao posto que lhe correspondia. Vedeaí o fim prioritário do movimento, junto com outros necessariamente abordados numha Galiza alienada no mental, mas tamém colonizada no económico. 
Nom dá a ocasiom para extender-nos sobre Villar Ponte, nem para analisarmos antecedentes nem evoluzom (as sucessivas Assembleas Nacionalistas) deste fenómeno que, se nom comezou sendo explicitamente político, acabou sendo-o… Si quero abundar no que se tem afirmado polos estudosos, e é tam evidente: esta é a primeira volta que o incipiente nacionalismo nosso se reúne, se organiza e permanece por um tempo apreciável no panorama da realidade galega. 


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Desconhezo a origem do nome, acaso inspirado naquelas Irmandades do século XV, das primeiras primaveras antifeudais europeas, se bem estas foram rebelions campesinas, em nada comparáveis á reaczom pacífica dalguns burgueses ilustrados do século XX contra o desprezo secular, próprio e alheio, polo idioma autóctono. Aqueles irmandinhos tardomedievais devenhem irmáns nos anos de entre guerras da última centúria. 

É nesta autodenominazom de irmaus que queremos finalmente insistir: ela sobrevivéu quase até o presente, na irmandade dos galeguistas, antonte provincialistas, onte regionalistas, nacionalista hoje, que percebem Espanha –com diversos matizes- como umha nazom de nazons e, porventura, como umha república de repúblicas. Novas juntanzas políticas, num desejável porvir imediato, serán devedoras tamém das Irmandades. Por isso, no centenario que estamos a celebrar, as Irmandades da Fala nom podem ser abordadas como algo do pasado: mália o tempo transocorrido, seguem vigentes, já nom constringidas a um colectivo com carimbo de asociazom legal, mas expandidas a toda umha colectividade com conciéncia de seu. 

Que hoje, longe ainda da sua normalizazom cabal, o idioma próprio da Galiza esteja presente na publicidade, na comunicazom institucional, nos mass media, nas aulas –sobre todo nas aulas!-, na edizom massiva de textos de toda caste, na convocatória de concursos… todo isto e muito mais deve-se em enorme medida, á semente que as Irmandades da Fala espalharom. 
Homenaxe das Irmandades da Fala a Castelao en Lugo, en xuño de 1932. Lugrís Freire a carón da bandeira da Irmandade, seguido de Castelao e de Suárez Picallo Cedida pola Real Academia Galega
A imaxe que encabeza este artigo é un detalle da fotografía
Co espírito de regenerazom que as animou, reivindicando o nosso (porque nom tínhamos por que ser menos –nem mais- do que osoutros povos e línguas peninsulares), mas tendo claro que a irmandade entre nós nom faria senom conduzirnos á irmandade universal, colocando a Galiza novamente no mapa do que fora desbotada quando a divissom provincial do XIX… com espírito tal, seja esta umha oportunidade mais para afortalarmos o compromisso que as Irmandades da Fala adoptarom, galegos orgulhosos do que temos, dum património no que a língua ocupa o lugar de preferéncia como meio de comunicazom e como signo de identidade. 

Montevidéu para Sada, janeiro de 2016.

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