OS APELIDOS DE SADA – I

José-Mª
Monterroso Devesa
ANTESSALA

O
galego, como o português, ou, para sernos fieis à preceptiva filológica, o galegoportuguês
tem, como todo outro idioma, um repertório de nomes de família, vulgo apelidos,
digno de estudar
per se,
mas tamém por se ter espalhado mundo adiante… muitas vezes sem os seus
próprios portadores serem conscientes da origem de tais apelidos.
De
acordo coa classificaçom universalmente aceitada, o conjunto destes nomes
adoita se dividir em: a) patronímicos (López), b) toponímicos (Quiroga), c) outros
(dos que já daremos detalhe).
De
todos eles, os toponímicos podem ser considerados os mais
nossos, pois que, nascidos dos nomes da Terra -como alguém os tem
denominado- dam ondequer prova do seu berço natal. Mesmo se tomarmos apelidos
como Lemos
ou
Quiroga, salta-nos à vista que nom só som lingüísticamente galego-portugueses,
mas
strictu senso, apenas galegos, por terem
surgido desses dous topónimos privativos de nós. É tal o caso,
mutatis mutandis, de apelidos como
Cáceres ou Sevilla, que, sendo castelhanos pola língua nom o som pola
geografia, pois aquele é estremenho e este andaluz.


APELIDOS
PATRONÍMICOS
Ora,
os patronímicos galego-portugueses, val dizer, aqueles apelidos que se
originam
no nome do pai, som
os menos diferentes dos seus parelhos castelhanos –nom em vao os dous idiomas
som, filológicamente falando, os mais cercanos no mundo románico. Se a isso
acrescentarmos que som, com frequência,
versionados
desde o portugués para o espanhol, sendo, entom, tomados como
castelhanos, ainda se nos dificulta mais determinarmos a sua natureza
primigénia.
A
todo isto, os patronímicos som pouco estimados porque, dada a sua antiguidade
(que, em princípio, garantiria um certo prestígio), se expandirom de tal jeito
que som os mais abundantes, abundantes até a vulgarizaçom, como
para
que se prescinda deles (Martínez Murguia: Murguia, Rodríguez Castelao:
Castelao…).
Com
efeito, estes apelidos nascem na Idade Meia, junto, diríamos, com os próprios
idiomas iberolatinos (galego-português, castelhano-espanhol, catalám e afins),
a partir do seguinte proceso -que, embora maioritariamente conhecido,
permito-me
reiterar para aqueles que puderam ignorá-lo-: Pero Gonçalves chamará a seu
filho Raimundo Pérez; o filho deste chamara- se Joám Reimúndez; o filho deste será
Rodrigo Ianes, e o filho deste Pero Rodríguez,
etc.,
etc… onde se vé que o filho herdava nom o apelido, mas o nome do pai,
declinado coa partícula genitiva -ez/-es… até que, a certa altura, finando o
Medievo, este último filho de Rodrigo Eanes/Ianes se chamaria nom Pero Rodríguez,
mas Pero Ianes… ficando fixado este apelido dali em diante.
Para
darmos umha visom gráfica da morfología dos patronímicos peninsulares, temos o exemplo
de: Pires-Pérez-Peris, versons de oeste (Portugal-Castela-Catalunha) a leste
dum mesmo apelido.
Tamém
vem a conto pormos de manifesto nomes que, que saibamos, nunca dérom em
patronímicos, assi: José, Manuel, Jesus… e isto porque o seu uso se geralizou
quando já nom se formavam os apelidos em base ao nome do pai. Também nom dérom
patronímicos em -ez/-es os nomes de pia femininos (de Maria, de Juana), que, em
rigor, haveria que chamar matronímicos, os que adoitam levar, isso si, dita
preposiçom como cos masculinos acontece (de Miguel, de Gregorio…). (Antano,
para definir como apelido primeiro o que pudera ser tomado como segundo nome
(ex.: Santiago Ramón Cajal), introduzia-se um y no meio, assi: Santiago Ramón y
Cajal, de onde Ramón sinalava-se como primeiro apelido e nom segundo nome de
pia).
Tema
secundário é o da grafia: o português, para se diferenciar do castelhano,
fixou-na
em -es (Rodrigues), cousa, ao nosso pouco entender, ociosa, dado que o z final
se pronúncia s na área galaico-portuguesa, em quanto os nossos filólogos
escolhérom seguirnos com -ez, mália a sua coincidencia co castelhano
(Rodríguez).
AS
FONTES NAS QUE BEBÉROM
Ora,
os nomes de pia base dos apelidos patronímicos tenhem diversa origen. Podemos
grosso modo fazer quatro grupos: I) Hebréus
(H), II) Greco-latinos (GL), III) Germánicos (G), IV) O resto. Aos que
engadimos: V) Os apelidos de nomes de pia sem declinarem, VI) Os apelidos de
nomes com San/Santo/Santa
diante.
Estes dous grupos sem classificá-los pola origem mas indicando-a.
Em
Sada, daquela, temos detectado os seguintes apelidos patronímicos, que vam,
dentro de cada grupo, por ordem alfabético -e nom damos definiçons etimológicas
por nom prolongar nem recargar o texto.
I)
NOMES DE PIA HEBRÉUS
1.
IBÁÑEZ, coa variante YÁÑEZ, que é, literalmente, filho de Juan/Joám/Iván.
2.
GIMÉNEZ, que tem a sua versom mais difundida JIMÉNEZ e até um arcaico
XIMÉNEZ
e vem sendo filho de Simeón/Simeom.
3.
MIGUÉLEZ/MIGUÉZ (vulgo MÍGUEZ, por isso, inecesariamente, o acentuarmos Miguéz,
para enfatizarmos a sua correcta e esquecida pronúncia aguda), e é filho de Miguel,
aquel castelhano, este galego.
II)
NOMES DE PIA GRECOLATINOS
4.
BENÍTEZ, filho de Benito, versom castelhana do galego Biéitez (ver Viéitez).
5.
DÍAZ/DIÉGUEZ/DÍEZ, todas versons de filho de Diego/Diádoco, variante de
Iago/Diago; entom deveriam acentuarse tamém como agudos: Diáz, Diéz.
6.
DOMÍNGUEZ, filho de Domingo.
7.
ESTÉVEZ, filho de Estevo, equivalendo ao castelhano Estébanez.
8.
FLÓREZ, considerado aquí filho de Floro, mas tendo muito outras interpretaçons.
9.
LÓPEZ, filho de Lope.
10.
MÁRQUEZ, filho de Marcos, mas, escrito Marqués, co acento agudo e acabando en
s, é, bota-se de ver, bem outro o seu significado.
11.
MARTÍNEZ, filho de Martín. Da versom galega Martinho nom conhecemos o
patronímico.( Os portugueses fam MARTÍNS, na Galiza ainda restam alguns
MARTÍS).
12.
PAIS/PAZ, filho de Paio, equivalendo ao castelhano Peláez. Tamém para Paz hai mais
interpretaçons.
13.
PÉREZ, é filho de Pero, versom antiga do moderno Pedro, que é a palabra latina (
petra) dessa alcunha bíblica para o
nome Simón/Simom (nom confundir co anterior Simeón).
14.
SÁNCHEZ/SÁENZ, filho de Sancho (relacionado com santo).
15.
VIÉITEZ é filho de Bieito, versom que acabou suplantando o correcto Biéitez.
III)
NOMES DE PIA GERMÁNICOS
16.
ÁLVAREZ é filho de Álvaro.
17.
BERMÚDEZ, filho de Bermudo, antigo Veremundo, de onde Vermúdez.
18.
FERNÁNDEZ/HERNÁNDEZ, filho de Fernando ou Hernando, segundo falarmos de galego
ou castelhao.
19.
GIRÁLDEZ, filho de Giraldo/Geraldo (cast. Gerardo).
20.
GONZÁLEZ é filho de Gonzalo.
21.
GÓMEZ, filho de Gome (hai quem o considera latino).
22.
GUTIÉRREZ, filho de Gutierre.
23.
MÉNDEZ é filho de (Her) menegildo, muito remegido, equivalendo a Menéndez.
24.
REIMÚNDEZ é filho de Reimundo (versom de Ramón).
25.
RODRÍGUEZ, filho de Rodrigo.
26.
ROSENDE (que nom chegou a Roséndez), seria filho de Rosendo, e, modernamente se
tem utilizado como tal nome de pia.
IV)
OUTROS NOMES DE PIA ORIGINANDO APELIDOS
26.
ORDÓÑEZ, filho de Ordoño, com origen discutida, entre euskera, germánica ou
latina.
27.
VÁZQUEZ, melhor VÁSQUEZ, filho de Vasco, nome de pia reputado como vasco (valha
o jogo de palavras), coincidindo co gentilício desses nacionais.
V)
NOMES DE PIA QUE FICÁROM TAL QUAL COMO APELIDOS (LEMBRAI: G (ERMÁN.), GL
(GRECO…), H(EBRÉUS)
28.
ALFONSO/ALONSO: é curioso como o primeiro é mais frequente como nome em quanto
o segundo (arcaísmo daquel) se impuxo como apelido. G.
29.
AMADO. GL.
30.
ANTÓN/ANTONIO. GL.
31.
BERNARDO. G.
32.
CRISTÓBAL (em galego temos Cristobo/ Cristovo). GL.
33.
DIEGO. GL.
34.
DOMINGO. GL.
35.
ESTEBAN (íd. Estebo/Estevo). GL.
36.
FRANCESCH (pronúncie-se
fransesk)
é o catalám Francisco. GL.
37.
GALINDO. G.
38.
GARCÍA, o mais abundante deste grupo que já nom se percibe como nome de pia e
tem dado o patronímico Garcez/Garcés. Seria euskera.
39.
GIL. GL.
40.
GUZMÁN. G.
41.
JORGE. GL.
42.
LORENZO, que, dada a sua abundáncia na Galiza, é evidente castelhanizaçom de
Lourenço. GL.
43.
MACÍAS, arcaísmo de Matías. H.
44.
MARTÍN. GL.
45.
MATEO. H.
46.
RAMÓN. G.
47.
ROLDÁN (moderno Rolando). G.
48.
ROMÁN. GL.
49.
ROSENDO. G.
50.
SEBASTIÁN. GL.
51.
VICENTE. GL.
52.
VIDAL. GL.
VI)
NOMES DE PIA COM PREFIXO SAN/SANTA/SANTO
53.
SAMPEDRO (Sam Pedro, normalmente escrito assi, em junto). GL.
54.
SAN JUAN. H.
55.
SANJURJO (Sam Jurjo, cast. Jorge). GL.
56.
SANMARTÍN. GL.
57.
SANROMÁN. GL.
58.
SANTAMARÍA. H.
59.
SANTIAGO (Sant Iago/Tiago/Diago/Jácopo). GL.
60.
SANTISO (Sam Tirso): neste caso, como noutros, poderia se tratar dum apelido
toponímico, val dizer, originado na povoaçom desse nome. GL.
61.
SEOANE (Sam Joám). Sufriu, por contracçom, séri a deformaçom do prefixo.
62.
SANTOS/DOS SANTOS/DE LOS SANTOS: poderia-se considerar este apelido procedente
do nome de pia semelhante? Entom seria um caso mais de nome trascendido a tal
apelido. (Desde logo, é bem mais abundoso como apelido que como nome: penso que
cada um, por separado, tem cadanseu
espaço).

Seguiremo-la
noutra… coa vossa licença, e desculpade e comunicade se vedes algo
incorrecto, como algo faltante: é-vos este um terreno escorregadiço de vez!

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