POLA PENÍNSULA DE ENTRE-RIAS. ROTEIRO DAS MARINHAS LITERARIAS

José-Mª Monterroso Devesa


Para Mercedes e Tino R. Caamaño.
INTRODUÇOM
Trata-se este de um itinerário, de Leste a Oeste –concebido hai décadas e nunca plasmado – , só se limitando a essa zona das Marinhas corunhesas que compreende os modernos municípios de Bergondo, Sada e Oleiros, na península conformada polas rias de Betanços e Corunha, precisamente entre estes termos municipais e tomando como eixo o território sadense.

Agora que se pretende racionalizar a barroca divissom municipal espanhola, velaí um jeito, se queredes virtual, de unir três concelhos ao redor de um feixe de figuras dos séculos XIX e XX, maiormente pertencentes, inda que nom exclussivamente, ao mundo das letras e, por regra geral, das letra galegas. Outro tanto poderíamos fazer com pintores como Abelenda, Lloréns ou Cebreiro, que plasmárom para sempre a beleza destas paisagens.

Desde 1805, que nasce Juana de Vega (mais que literata memorialista) até 2012, que morre Isaac Díaz Pardo (mesmo ensaísta entre outras muitas cousas), transcorrem os dous séculos longos vitais de umha vintena de persoeiros que, muito ou pouco, tivérom relaçom com a zona sinalada, curiosamente estes dous vivendo inteiramente (Isaac na maior parte) nas suas respectivas centúrias.

BERGONDO
Na freguezia de VIXOI, quase à beira da estrada de Madrid –a umha carreirinha de cam de Cortinhám-, acha-se o lugar de Sam Fiz onde, na casona familiar, se criou e passou longas temporadas JOÁM VICENTE VIQUEIRA LÓPEZ-CORTÓN (1886-1924) quem, nado em Madrid, morrerá na Lagoa, freguezia bergondense de OUCES. Daí que a sua sepultura se ache no cemitério desta paróquia, num recuncho que daquela configurava a terra civil inserida mas separada do camposanto, e hoje sem inscriçom vissível algumha que o identifique, ficando somente o triste toco do alcipreste que outrora lhe dava sombra. (O que, sem dúvida, foi o galego mais européu do seu tempo e neto materno do mecenas dos Jogos Florais da Corunha de 1861, tinha na Lagoa a sua casa temporal). 

De OUCES eram, tamém, os muito cultos irmaus VAAMONDE LORES: FLORENCIO (1860-1925) e CÉSAR (1867-1942), historiador este (que, por certo, deixou entre os seus inéditos umha Historia de la Villa de Sada) e literato e historiador aquel (utilizando seudónimos tales como Xan de Ouces e Fluvio Bergondense), verdadeiro adiantado em traduzir para galego de línguas clássicas, abondo esquecidos ambos.

Si hai placa na casa da mesma Lagoa, à beira da estrada Betanços-Sada, onde ALEJANDRO PÉREZ LUGÍN (1870-1926) escrevéu parte da popular La Casa de la Troya (1915).

Estoutro matritense de nascimento (sobrinhosegundo de Rosalia, por sua mai, Carmen Lugín de Castro) morreria na Acea da Ama do Burgo (Culheredo) e tem, em Santo Amaro da Corunha, formoso panteom, obra de Bonome.

El assina o romance (cuja autoria lhe foi disputada no seu tempo e que nós temos, dentro das suas limitaçons evidentes, defendido como amável novela costumbrista e estudiantil compostelá) “nas Mariñas meigas (Moruxo – A Lagoa) – Madrid”, rematando-o com este alalá:

Teño una casiña branca
Na Mariña entre loureiros;
Teño paz e teño amor
¡Estou vivindo no ceo! 

Em falando da freguezia de MORUXO, damos com a quarta personagem: a ourensá FILOMENA DATO MURUÁIS (1856-1926), que numha casona ali situada morréu  Esta poeta galega, curmá dos destacados pontevedreses irmaus Muruais e mais do que foi presidente do governo, o corunhês Eduardo Dato (1856- 1921), morou ali os seus últimos anos, em cas’da sua irmá Maravillas (esposa do fidalgo José Patiño
Pita da Veiga) e nesse cemitério foi sepultada.
Visita dela era Pérez Lugín quem, cousas da vida, bem mais novo do que Filomena, morreria apenas seis messes depois do que a sua amiga…
SADA
As figuras de Sada mal precisam de comentario nesta revista sadense. Assi ISAAC DÍAZ PARDO (1920-2012), senhor do Castro de Samoedo, compostelám de nascimento, sadense de OSSEDO por eleiçom.

Na mesma SADA temos a MANUEL LUGRÍS FREIRE (1863-1940), polígrafo e político do que seria ocioso falar. Somente pontualizar que, sadense por mai, pai e avós paternos eram, como o grosso dos Lugrís, da paróquia oleirense de SERANTES. Hai tempo esgrimimos a possibilidade de que o apelido, já radicado ali e na vizinha Maianca e portinho de Mera desde meiados do século XVII, vinhesse de terras irlandesas.

Perto, em Sada d’Arriba, nascéu, como é sabido, RICARDO FLORES PÉREZ (1903-2002), maiormente comediógrafo, mas talvez sobre isso luitador pola língua galega, quem cedo cruzou o Gram Charco para viver e morrer em Buenos Aires.
Onde tamém morreria o nosso génio tutelar, RAMÓN SUÁREZ PICALLO (1894-1964), nado pertinho da vila, no lugar de Veloi, e quem, à par de sindicalista, político e orador, bem conhecido é como escritor, volcado no jornalismo e que temos tamém que relacionar co camposanto do Fiunchedo, onde véu dar desde tam longe, cumprindo a sua arela de sempre. MEIRÁS, pola sua banda, concretamente o seu cemitério, foi acovilho de JOAQUÍN VAAMONDE CORNIDE (1871-1900), -quem soe figurar nado em 1872-, destacado pintor corunhês pertencente à que Bello Piñeiro chamou Geraçom Dolente, por serem os seus componentes valores malogrados bem novos ainda. El nom foi literato, mas forma parte da obra da sua mecenas, EMILIA PARDO-BAZÁN (1851-1921), que o apousentou na qualificada modestamente por ela Granja de Meirás e o transmutou na personagem literária do seu romance La Quimera (1905), o pintor Silvio Lago.

Por suposto, cabe incluir a Condessa nesta galeria de valores da comarca polas suas prolongadas e activíssimas estadias no paço sadense e por ser, de algum jeito, a madrinha involuntária deste órgao que leva como nome a nossa versom do que ela lhe déu à vila de Sada: Arenal.

E nom nos livramos da tentaçom de sinalar a coincidência da nossa freguezia de MONDEGO com o saudoso curso de auga portugués, “o maior rio que nasce em Portugal”, banhando Coimbra e a Quinta das Lágrimas, última morada da infortunada galega INÊS DE CASTRO (morta de morte matada em 1355), que tantos cantárom, mesmo o imortal Camoes n’Os Lusíadas.

OLEIROS
No nosso deslocamento Leste-Oeste caemos, por fim, em OLEIROS, onde radicava nos veraos a corunhesa FRANCISCA HERRERA GARRIDO, Paquiña (1869-1950), primeira mulher académica da Galega (embora nom chegasse
a tomar posse) quem, junto à sua produçom novelística, cultivou a poesía. De pai corunhês, seu avô era um Ferrera (sic na documentaçom eclesiástica) -é dizer um Ferreiraaçoriano: mágoa de espanholizaçom (como acontecéu, além, com os Linhares-Rivas ou antes com os Do Vale-Inclán)!


De seguido sai-nos ao encontro o paço de Lóngora, na freguezia de LIÁNS: desta (em espanhol: Santa Eulalia de Liáns) colhéu nome literário Eulalia de Liáns, a corunhesa FRANCISCA GONZÁLEZ GARRIDO, Fanny Garrido, (morta em Madrid, 1918), habitante ali com o seu primeiro home, o corunhês Marcial del Adalid (1826-1881), músico o mais importante do XIX. Dela por nom saber nom se sabe nem a data de nascimento; si, sabe-se da sua proverbial beleza e, que se saiba, esta romancista nom escrevéu nada no nosso idioma, embora Adalid remusicara muito cantar popular do país. (Se repararmos nas homonímias de nomes e apelidos, costa nom relacionar a estas duas Franciscas, Paquiña e Fanny, como possíveis parentes…).

Nesta mesma freguezia de LIÁNS temos o núcleo de Montrove: no seu paço do Rio, signado pola tragédia aérea de 1973, morou o pintor ANTONIO JASPE MOSCOSO (1856-1887) – outro dolente da geraçom anterior-, pois estes Jaspe (consanguíneos do libertador Bolívar) eram os donos ancestrais até que, nos tempos do artista, se transferiu a mans da família Marchesi, quem o alugou por temporadas a SANTIAGO CASARES QUIROGA (1884-1950), cuja filha, MARÍA VICTORIA CASARES PÉREZ, María Casares (1922-1996) ali disfrutava os veraos quando nena, e quem, além de grande actriz, demostrou ter umhas excelentes aptitudes literárias (outra memorialista) nas suas evocaçons de Residente privilegiada (1981).

Antes de cruzarmos a estrada de Madrid, teríamos que subir a Mera, pertencente à paróquia de SERANTES, onde passou alguns veraos a escritora SOFÍA PÉREZ CASANOVA (1861- 1958), junto com FLORES, a mais longeva destas figuras someramente citadas aqui. Conhecido é como ela se radicou bem cedo na Polónia de seu home. Batizada na Corunha, nascera, dito por ela mesma, na Almeiras culherdense.



Agora si, podemos ir até NOS, onde ainda
subsiste a casona de JUANA DE VEGA (1805-1872) –cujo pai De la Vega, seguramente antes: Da Veiga, de Mondonhedo era, a saber se nom Parente do grande mindoniense Pascual Veiga, cujo pai era Da Veiga-, mansiom na que, cumpre dizê-lo, passou algumha temporada canda ela CONCEPCIÓN ARENAL (1820-1893), outra mulher que cultivou as letras (em espanhol) para fustigar a injustiça e aportar soluçons ao sempiterno problema penitenciário.


Chegados aqui e por nom rompermos o plano traçado em torno à zona que qualificámos de Entre-Rias… mágoa nom podermos rematar o percorrido na cercana Villa Florentina cambresa, mergulhada na fraga de Cecebre, o mítico bosque animado do Wenceslao imortal!




BIBLIOGRAFIA SUCINTA
–  Carballo Calero, R.- Historia da literatura galega
contemporánea, 2ª ed., Vigo, 1975.
–  Durán, J. A.- Historia e lenda dos Muruais, Madrid,
2004.
–  GRAN ENCICLOPEDIA GALLEGA, 1ª ed.
(artigos varios).
–  Martínez-Barbeito, C.- Torres, pazos y linajes de la
provincia de la Coruña, 2ª ed., León, 1986.
–  Monterroso Devesa, X.-M.- Apontamentos para a
4ª ed. da Historia da literatura galega contemporánea
de Ricardo Carvalho Calero, in Agália, núm.
29, Corunha, 1992.
–  Monterroso Devesa-Juega, J.-M.- Dos Do Vale de
Bares aos Del Valle-Inclán de Sobrám, in Cuadrante,
núm. 23, Cambados, 2011.
–  Reiriz Rey, J. M.- El magnicidio de Eduardo Dato,
in La Coruña: historia y turismo, Corunha, 2006.
–  Rodríguez Maneiro, M.- Juana de Vega, Iñás-
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–  Santos Gayoso, E.- Diccionario de seudónimos y

apodos gallegos, Corunha, 2003.

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