ALGO SOBRE O MOVIMENTO GALEGUISTA EM BOS ARES



Cando cheguei a este pais alô polo mês de Setembro do ano 1929, o movimento galeguista em Bôs Ares era frouxo. Pois o alardeamento de ser galego, nom se fazia comum nos nossos emigrados, supondo, pouco menos do que um.a afouteza, manifestar publicamente sê-lo, e quasemente equivaler a um delito, o fazer uso da nossa lingua.


Quem mais, quem menos, a maior parte da nossa gente, achava-se co espírito engrunhado, tal como fugidos do próprio sêr, po-lo tanto vivendo de costas ao ente nacional da Galiza, alheios á sua problemática e ás arelas de recobramento da sua personalidade.

Fazia pouco tempo, um fato tle “bôs e generosos”, tinham constituido um orgaismo patriótico- cultural, baixo o nome de “Sociedade Nacionalista Pondal”, ao que me incorporei aginha de ter conhecimento dele. Co aparecimento desta entidade, encetara-se um fogoso batalhar que vinha malhumorando aos desligados, e que tivo muito que ver no processo do movimento galeguista nesta beira do Rio da Prata. Co seu vozeiro “A FOUCE”, inteiramente publicado em galego, nom se deixava passar sem o seu merecido a canta
falcatrua pudera surdir, emsombrando o gentilício dos que somos nados na Galiza.

A saída desta combativa folha era mensal, bimensal, ou cando os meios económicos o doavam; e a sua leitura era agardada com grande espreita, degorando conhecer a quem lhe caia a “foucinhiada”. Dos dous milheiros de exemplares que sumava a sua tirage, mais da metade remetiam- se a personalidades e orgaismos da Terra.

O sainete madrilenho de antano, ridiculizando ao galego para fazer rir ao público brosmo, tínha-ae transplantado nesta capital; e no cenário onde aparecera algo semelhante, alí erguiase a voz destes moços da “Pondal”, com berros de protesto, interrompendo o espectáculo, e nalgum caso, coutando o seu proseguimento, e ter que cair o pano.

Ao dia seguinte de se dar um destes feitos, a imprensa local ao se ocuparem do assunto, amostrava-se da banda dos protestadores, justificando a nossa atitude; e isso, fazia arrefecer a vontade aos saineteiros para nos seguir amolando, côas suas choqueiradas, co que, á vez, saia favorecida a comunidade do pais.

A presença da coral “DE RUADA”, de Ourense, ao final do ano 1930, tivo a virtude de produzir abalos na psique colectiva galega, tal como se nas suas cantigas e danças trouxeram um chamado telúrico, e que fora escoitado no
ámago das nossas gentes.

Os grandes louvores que os jornais portenhos lhe oferecerem a esta magnifica embaixada da nossa arte folclórica, logrou desengrunhamento no espírito dos galegos; como quem di, fijo-lhes botar peito e sentirem-se fachendosos do seu ser.

O advento da segunda República espanhola, o 14 de Abril do ano 1931, enchoupou-nos a todos de júbilo, pois con tal acontecimento surdia um.a luz de esperança para os nossos anceios de podermos olhar trocado o destino da Pátria de cote assovallada; e daí, acrescentarom-se as actividades político-culturais.

A nossa colectividade contou já co seu primeiro coro típico galego, “Lembranças de Ultreya” que logo chamaria-se somente “Ultreya”. E um pouco adiante seguiu-lhe a criaçom doutros coros: “Lembranças da Terra”, “Saudades” e “Os Rumorosos”, éste baixo a batuta do mestre Manuel Prieto Marcos, músico e poeta de graúda valia, quem portando ainda anos moços, foi-se para o Além, deixando entre nós um valdeiro nom doado de enchê-lo.



Tendo desaparecido ditos coros, vinherom outros cubrir a sua falta; “Rosalia de Castro”, “Terra Nossa”, “Curros Enríquez”, “Residentes de Vigo”, “Airinhos de Vigo”, “Castelao”, “Arrieiros de Mós”, “Brétemas e Raiolas” e “Breogam”. Actualmente existem: “Lembranças da Terra”, “Rosalia de Castro” e “Coro Centro Galego”.


O lavor dos coros foi, sem dúvida, de monta considerável, tendo davondo influxo no processo do movimento galeguista
de Bôs Ares. Paralelamente á actividade coral, deu-se o desenrolo da actividade teatral, criando-se conjuntos que ocuparom cenários importantes, tanto públicos como das nossas entidades, merecendo fazer destaque da “Companhia Galega Maruja Vilanova”, dirigida por Daniel Varela Bujám, que estreou a peça “Os velhos nom devem de namorar-se”, de Castelao, obtendo avultado êxito. Antes, tamém em estreia, representou outras peças de autoria do próprio director, as que tiveram mui exitosa acolhida.


Formarom-se conjuntos, de gaitas e de danças típicas, que o mesmo actuavam nos festivais de campo, como nos de salom;
chegando-se a contar com um conjunto de mais dum.a dúzia de compoentes: “Os Gaiteiros de Vilaverde”, dirigido polo notável gaiteiro Manuel Dopaço.


Os galegos forom reagindo cara a si mesmos, e no decurso dum.a meia dúzia de anos, a nossa colectividade tinha trocado tal de conduta, que polo estalo da guerra civil espanhola, o movimento galeguista já era aqui tam xúrdio, quase, como cando chegou Castelao, a começos do ano 1940, quem, ledamente surprendido, ca-lificou-no: “A GALIZA IDEAL”.


A tragédia da Espanha, fijera arribar a esta banda do Prata, fatos de gente nossa, chegando entre ela valores que, engadidos ás nossas forças e junguidos no mesmo ideal de querermos ser nós, Bôs Ares converteu-se num fervedoiro de
galeguidade, e a fala galega era correntio escoitala onde quijer que um se topara.


Fundou-se a “Irmandade Galega”, como continuidade do Partido Galeguista, e começou a sair o seu vozeiro “A Nossa Terra”.


Criou-se o CONSELHO DE GALIZA, presidido por Castelao, ao que acompanharom os deputados galegos, únicos da América do Sul: Antom Alonso Rios, Alfredo Somoça, Elpídio Vilaverde e Ramom Suárez Picalho, representando no exilio a voz auténtica do povo galego.


Saírom ao ar outras audiçons com programas de jerarquia, apontando a exaltaçom dos valoles galegos. Editarom- se livros em galego, reeditarom-se outros, e publicarom-se revistas inçadas de letras galegas.


Por iniciativa do CONSELHO DE GALIZA, celebrouse o PrImeiro Congresso da Emigraçom Galega, dando enceto as suas juntanças deliberativas o mesmo DIA DE GALIZA, 25 de Julho do ano 1956, côa assisténcia de representaçons da nossa colectividade, nom só da Argentina, senom tamém do Continente Americano inteiro. Coincidindo côa comemoraçom do centenário do histórico Banquete de Conjo, o mesmo, foi evocado com um acto semelhante, ao que, concorreram milheiro e meio de comensais.


Co galho de se cumprir o 150 cabodano da Independência Argentina, aderindo á comemoraçom de tamanha data, a nossa colectividade realizou um.a manifestaçom, patrocinada polo Centro Galego, a meirande instituïçom nossa, que significou um transcendente acto de gratidum cara a este bom pais argentino, onde tantos galegos temos moradia.


Diante da a Bandeira Galega, seguida dum adival humano representativo de todas insituïçons galegas, e após deste, conjuntos de coros e de danças, que avantavam tecendo pontos de moinheira ao som do toque dum.a Banda, na que iam incorporados um.a vintena de gaiteiros.


Na mão de cada manifestante, esmado nuns trezentos mil, erguia-se um.a bandeirinha galega, única que flamejava de par da argentina.


Ao falar do movimento galeguista de Bôs Ares, nom se pode esquecer a certas figuras, ás que se lhes devem as melhores cotas de loita e de sacrifício no seu processo desde as primeiras horas, cando ainda nom assomava a República, os mais, hoje afastados de nós para sempre. Para todos eles o quente homenage de reconhecemento e admiraçom dos que temos a sorte de podermos seguir em pé na mesma loita que foi norte supremo da sua vida.


Pátria galega, 07/1982

Partillar

Deixa unha resposta

O teu enderezo electrónico non se publicará