AMARO ORZÁN (1911-1979) NO SEU CENTENÁRIO

José-Mª Monterroso Devesa
Entre os centenários que celebrámos no
recente 2011, um passou sem celebraçom: el foi
o de Álvaro Paradela Criado, ou se queredes,
Amaro Orzán (e isso mália o que el me dizia:
“Dende a democracia Amaro Orzán finou. Enterreino nun palleiro”). 

Álvaro Paradela, corunhês de nacência e
galego de mente e de coraçom, era médico e
como tal entregado à sua vocaçom, os
muitos últimos anos na bisbarra
ferrolá de Freixeiro
(criaçom sua o topónimo literário Ferrolterra), onde,
umha má noite
em que, como
decotio, passeava com os seus
três caos, foi
atropelado mortalmente. Umha
praça de Freixeiro
leva o seu nome, com
toda justiça. 

Em falando-me
da sua profissom dizia-me: “Como médico, estou marcado a
balas, escomecei, de
súcato, a ter que ir
certificar as defunciós de afusilados,
aló, ó pé das tapias
do camposanto…
Cheguei a ter 7.000
prisioneiros baixo
os meus coidados;
pro os medicamentos eran aspirinas, o
bismuto, o permanganato e o bicarbonato: non había, na nosa
miseria, máis”. (De quando em vez) “teño que
valeirarme dos cóbados ou couceiros ou cañotos da ‘guerra de liberación’…”). 

Tamém era músico, melómano: “Meu abó
–escrevia-me- (Noia) tocaba non sei cantos
instrumentos. Meu tio Danel foi direutor da
banda municipal de Noia. Meu pai frautista. I
eu. Ainda conservo na casa da Cruña seis ou
dez tipos de frautas. Polos seus furados e
chaves teño chorado o que, como home, non
podían facer os meus ollos. Miña hirmán tegoleteaba o pianoforte da casa uterina. I eu. Ten de haber acolá,
nunha habitación, duas mil
partituras e dúcias de
partituras de música galega copiadas a man. Coido tuda a do século
XIX”… 

El marcara época o
seu originalíssimo estilo
literário –mesmo a sua
particular expressom
ortografo-morfológica
em galego. Do que ficou quando menos
umha dúzia de títulos,
pequenos libros cheios
de sentipensamentos,
como el os chamava, conceptos removedores, acedamente
críticos, produto das
suas cavilaçons pesioutimistas, mesmo plasmadas por vezes, em
conxuntos de poemas. A
respeito da poesia botava
em falta umha revista poética em galego e mostravase disposto a financiá-la, assi
fosse em parte. 

Intelectual cabal e sem
concessons, e, como tal, inconformista com
o ser e o acontecer dos galegos, esse acontecer tam autodestrutivo que, como nos del,
torna a se dar, nos nossos días, acabou sen do g anhado por essa amarg ura do que peta
e peta nas conciências sem alviscar resultado (“Na Galiza tudo é ir á Feira de Perdelotempo”)… ou essa era a percepçom de
quem afirmava ser acurrado porque –som as
suas palavras- “non estou asociado a nada,
vou a contra das cousas, tuda a miña liña foi
garimosamente crítica, docemente demoledora”… 

Endebém, apenas quatro meses antes de
morrer, experimentou um maremoto espiritual: “Dende que visitei o Pazo de Souto
(Begonte-Lugo), fum tocado dunha gracia ou
disgracia. Impresionóume moito, a fondo…
Ainda non apousei nen o sentimento nen o
pensamento, no arredor e nos fondales dista
carisma. Un crego o Pai Manoel Espiña, celebrou sobor dun dolmen hoxeísta, unha ara ou
mesiña de táboa, os seus oficios cristiáns. E
baixo a sombrela ou umbrela –ou paraugas–
do trisecular Carballo de Quián. Era ou foi a
media mañá; pro iso con Lúa… Xurdíu, súpeto
ou de súcato, a imaxe dun neoceltismo. E
ándame dando voltas e viravoltas na cachola e
no tinteiro do corazón. As nosas xentes siguen
sendo paganas. Boeno: precristiáns. O cristianismo, ben o veño ouservando, é un bernís.
Unhas brochadas de cal… Tudo abaneóume…
Foi un fortes vento… manseliño”. 

Isto era no agosto do 79. Quando eu voltei
de longa viagem transatlántica, o doutor Don
Paradelas –como lhe chamavam os paisanosacabava de morrer. Escrevim, publiquei, entom,
umha Despedida para un amigo ao que nunca vin,
pois, incompreenssivelmente, dada a proximidade, só éramos corresponsais ao longo dessa
década: “É posíbel una amizade así? –
perguntava-me a mim mesmo-. Éo. Pode isto
ser chamado amizade? Pode”. 

E hoje, com os laços que tecem as persoas, atravês da internet, sem se conhecer fisicamente, bem se dá compreendido, como se entendéu nos longos séculos epistolares prétecnológicos da história humana… 

Nestes tempos de crise parece utopia, mas
eu volto a fazer votos por que a obra inédita –ú
-la?- e édita e/ou espalhada de Amaro Orzán –
porventura o mais belo pseudónimo da nossa
Literatura, ó manes de Isaac!- seja compilada e
divulgada como el e ela se merecem: mais de
um galego de hoje ficaria enlevado com os aforismos sui generis com os que este galego de
sempre nos deleitou e removeu mais de quarenta e cinquenta anos atrás. 
Montevidéu para Sada, janeiro de 2012.
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