EMIGRANTES SADENSES AO RIO DA PRATA-NORTE NO SÉCULO XVIII

José-Mª Monterroso Devesa

Para Jesús Castro Vidal, sadense ex emigrante em Montevidéu.

PREÁMBULO
Quando Ramón Suárez Picallo (1912) emigra  a 
Buenos  Aires  ou 
quando,  anos  depois (1929) 
tamém  ali  o 
fai  Ricardo  Flores 
Pérez, ou, quando, anos antes (1883), o fixera Lugrís Freire  a 
La  Habana,  nom 
estavam  mais  que pondo 
três  outras  migalhas 
na  reste  das 
que puxeram, cem e mais anos atrás, outros paisanos  seus… ou, 
contemporáneamente, tantos  e
tantos como se dirixirom aos Estados Unidos 
da América.

Hoje traemos, como exemplo do dito, contados casos de
emigrantes –algum mesmo destinado por mor da sua profissom militar- que desde Sada e a sua contorna forom dar ao Rio da Prata, concretamente à banda
norte, a que, actualmente, é conhecida como República Oriental del Uruguay ,
feitos acontecidos na época colonial, quando só era um territorio
semidespovoa- do chamado Banda Oriental del Uruguay  (em ambos os casos por referência ao rio
deste nome que é um dos dous braços –o outro é o rio Paraná- que formam o
imenso estuário platense).

Na época que tratamos, Sada-cidade (daque-la, vila)
pertencia à provincia de Betanços. Esta era, como é bem sabido e agora só
compendia-mos,  a  unidade 
da  organizaçom  administrativa que,  desaparecida 
em  1833,  vinha  de 
longe, constituíndo  umha  das 
sete  províncias  galegas que, senhoreada pola (única) cidade
homónima, abrangia quase 2.500 km.2, tendo como limites as  províncias 
de  Mondonhedo  (Leste), 
Lugo (Leste  e  Sul), 
Santiago  (Suloeste)  e 
Corunha (Oeste) e o Atlántico-Cantábrico (Oeste e Norte). Marcavam os
pontos extremos marítimos os termos de Loiba (Ortigueira) e Carnoedo (Sada).
Umha das 43 jurisdicçons que, junto com 9 coutos, se
repartiam o territorio provincial betanceiro, era a de Miraflores -belo nome,
abofé!- 
que, por sua volta, era compartida coa vizinha província da
Corunha. Assi, das oito freguezias sadenses de hoje, quatro (Sada, Carnoedo,
Ossedo e Mosteirom) pertenciam a Betanços e as quatro restantes (Meirás,
Mondego, Veigue e Sonheiro) a Corunha (Rio Barja, 1990).

O  nosso  breve 
informe,  contodo,  tomará como 
base  as  paróquias 
do  actual  município sadense. O período -bem breve: um
sexénio- no que  desenvolvemos  esta 
pequena mostra  vai desde 1778 a 1783, cum antecedente de
1765 e um episódio posterior em torno a 1806. E limita-se a quatro famílias,
umha só da vila sadense, as outras das freguezias de Ossedo, Mosteirom, Meirás
e Sonheiro.

O “OPERATIVO PATAGONIA”

Esse período vem dado por sucesivas expediçons (neste caso
três) do que o autor no que nos baseamos (Apolant,  1970 e 
1976) déu em chamar “Operativo Patagonia”. Ela foi a enorme operaçom
de povoamento do deserto  argentino
levada a cabo por Espanha nessa altura do século  XVIII, 
com  ponto  de 
partida  na  Corunha e porto de arribo em Montevidéu. É
entom quando a cidade corunhesa se converte no centro do processo, coa
conseguinte congestom demográfica 
causada  polos  aspirantes 
a  colonos,  o 
que  removéu  a 
vida  da  urbe 
todo  esse sexénio.   

Incompreensivelmente,   ainda  
hoje nom existe nesta cidade um conhecimento geral (Longo, 1998, 1999)
–nem se déu comemoraçom algumha- de tam salientável feito, quando saem
dela, com aquel destino sulamericano, prefigurando  a 
grande  maré  emigratória 
dos dous  séculos  seguintes, 
até  once  expediçons, com  cerca 
de  2.000  colonos 
para  a  Patagónia, na 
maior  operaçom  colonizadora 
que  a  coroa borbónica realizou no vicerreinado
rioplatense.
1778

Nesse contexto temos, já na primeria expediçom saída da
Corunha na fragata-correio La Princesa  o
21 de outubro de 1778 e chegada a Montevidéu 
o  28  de 
dezembro  seguinte  (val dizer, quase 10 semanas de navegaçom),
umha família com raízes em Sada… sendo, por certo, a  primeira 
em  se  inscrever, 
pois  que  leva  o
número 1 da relaçom de passageiros.
Eles som MARCELO MANDIÁ NEIRA, filho de Antonio e de María
Benita, de Sam Giao de Sonheiro, “jurisdicción de Miraflores”, 40 anos; sua
mulher, Marta Muñiz Reimúndez, de Sam Martinho de Lestom, “jurisdicción de
Bergantiños” (actual concelho da Laracha), viúva de Malín, e dous filhos: o
dela e Malín, com 9 anos, e o dos dous, de 2 anos.
Este home logrou liberar-se, mediante pago, da obriga de
seguir à Patagónia, ficando no porto montevideano. Mas ali a parelha vivéu em
contínuas desavenças (pola vida airada dela)
… até o ponto de el matá-la em 1789, indo preso até que se fugou em 1800… lamentavelmente nom sabendo
mais nada desta gente…
O  que  si 
sabemos  é  que 
Marcelo    estivera antes no porto uruguaio, pois, ainda
solteiro, integrara o regimentó de Mallorca que arribou ali em 1765, ou seja,
treze anos atrás, voltando à península em 1772… para retornar ao Prata, já
acompanhado e em maldita a hora, no posterior 1778.
1780

Os   seguintes   expedicionários   que  
nos interessam  som  Casimiro 
Feijoo  Nóvoa  (de Sam 
Joám  de  Vide, 
actual  concelho  de 
Banhos  de  Molgas) 
com  Eulalia  Calderón 
Ballesteros  (de  Mérida, 
em  Badaxoz)  e  umha
sua   filha,   MARÍA  
ROSA   FEIJOO   CALDERÓN, 
de  22  anos, 
natural  de  Santa 
Maria  de  Sada… 
chegados  a  Montevidéu 
na fragata  La Barca   o 
27  de  maio 
de  1780:  val dizer que ela nasceria aí  contra 
1757, época na que os pais já estavam morando em Galiza…  a 
saber  por  quê 
(o  livro  de 
baptismos correspondente  ao  período 
1756-1782  nom se   atopa  
no   fundo   de  
Sada   no   Arquivo Histórico  Diocesano 
de  Compostela,  supostamente extraviado).

(O pai morréu o ano seguinte, mas vivendo o suficiente para
ver casada a filha, já o 25 de setembro do ano de arribada, cum conacional, o
ribadaviense Juan Vázquez Infesta).

Contrariamente à 
familia  anterior,  a 
posteridade desta é mais que conhecida, pois que forom  pais, 
entre  outros,  do  estadista  Santiago Vázquez  (1787-1847) 
e  do  militar 
da  Independência  Ventura 
Vázquez  (1790-1826)…  e daí 
em  diante  de 
mais  nomes  salientáveis 
na história do país (o vicepresidente da República Enrique  Tarigo 
Vázquez  -1927-2002-  destes Vázquez descia).
Montevidéu nun plano do 1771 (Archivo General de Indias, MPBUENOS_ AIRES, 99)
Seguramente a prematura morte do cabeça de família salvou a
esta de ir ao desterro, se bem voluntário por solicitado, que significava a
Patagónia…

1783

Três  anos  mais 
tarde,  o  26 
de  outubro  de 1783, 
chega  a  Montevidéu 
a  fragata  Nuestra Señora de La Lapa:  será o penúltimo embarque da  operaçom 
para  povoar  a 
Patagónia.  Nessa expediçom vai
VICENTE SUÁREZ LAGO, 38 anos, filho de Francisco e Josefa, natural da freguezia     de     Sam    
Martinho     de     Meirás, “jurisdicción  de 
Miraflores”,  coa  sua 
mulher MARÍA  CHAS  SÁNCHEZ, 
36  anos,  filha 
de Andrés e  Ignacia, natural de
Sam Giao de Ossedo, e mais três filhos: María (10 anos), Josefa (7) e
Baltasar (6 messes).
Esta família ficou tamém no porto de arribada, ainda tendo
aí umha filha, María Ignacia, e com sucessom futura no país.
AS INVASONS INGLESAS

De Sam Nicolás de Mosteirom, onde nascera  em 
1782,  filho  dos 
fidalgos  Andrés  e 
Juana Gil Taboada de la Torre, era o cadete de infantaria  em 
Montevidéu  JOSÉ  GIL 
Y  GIL  TABOADA, quem havendo casado ali em outubro
de  1806, 
caíu  morto  em 
fevereiro  de  1807, 
no decurso do ataque final dos ingleses, que se apoderarom  entom 
e  ficarom  donos  da 
cidade  durante  apenas 
sete  meses:  triste 
destino,  sem dúvida,  o 
deste  moço  morto, 
longe  da  Terra, recém 
casado,  com  apenas 
25  anos!  E 
temos ideia, a falta de maior investigaçom, de que nom chegou  a  ter  sucessom… 
Morrer  assi  e  para
quê… perdendo umha guerra que bem logo se resolvéu no statu quo  anterior… por se houvesse 
algumha guerra imperialista justificável…

COLOFOM

Rematemos pondo de relevo como jà a operaçom para povoar a
Patagónia –parcialmente fracassada- tivera por objecto conjurar o perigo inglês
naquela vasta regiom inconquistada… que ainda os argentinos independentes
achegarom à sua república depois dumha sanguenta campaña del desierto , no
último quarto do século XIX, quase cem anos depois.

Por fim os ingleses, vinte e tantos anos andados do
“operativo Patagonia”, dérom con
quistado, embora por breves messes, tanto a praça de Buenos Aires (em cuja liberaçom tiveram papel decisivo o tércio galego comandado por Cerviño e mais a intervençom montevideana) como, um ano mais tarde, a própria praça de Montevidéu.

E velaí como, sempre cos ingleses como pano de fundo, quatro grupos sadenses se virom envoltos nas peripécias da emigraçom (bem que um, o solitário cadete de Mosteirom, digno de um romance, foi emigrante por mor do seu destino profissional)…
BIBLIOGRAFIA SOMERA
−             Apolant,
J. A.- Operativo Patagonia , Montevideo, 1970.
−             Apolant,
J. A.- Génesis de la familia uruguaya, 
2ª ed., Montevideo, 1976.
−             Longo, M.
& Longo, N.- “Expediciones de familias al Río de la Plata (1778-1784)”,
in La Coruña paraíso del turismo ,
anos 1998, 1999.
−             Río
Barja, F. X.- Cartografía xurisdiccional de Ga- licia no século XVIII ,
Santiago, 1990
Nas duas imaxe superiores,Dous retratos de Santiago Vázquez, ilustre estadista uruguaio, o ministro mais relevante no primeiro terço do s. XIX. Era filho da sadense María Rosa Feijoo.
Partillar

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